Em discurso emocionado, senador do PL critica desequilíbrio entre Poderes, defende retorno à “constituinte originária de 1988” e promete pautar anistia e voto aberto para a Mesa Diretora
Brasília — O senador Rogério Marinho (PL-RN) lançou oficialmente, nesta quarta-feira (4), sua candidatura à presidência do Senado Federal. Em discurso com a voz embargada, o parlamentar afirmou que “não podemos abandonar o Brasil” e defendeu uma mudança de rumo institucional, com o resgate do papel original do Congresso previsto na Constituição de 1988.
A candidatura foi referendada pela bancada do PL, com a presença de cerca de 30 senadores, que o apresentaram como o nome da direita para comandar a Casa. Marinho disputará o cargo com o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), que busca a reeleição e já reúne apoio do centrão e do PT. A disputa pode ganhar contornos ainda mais complexos com a manutenção da candidatura da senadora Tereza Cristina (PP-MS), também do campo da direita, o que tende a dividir votos.
Críticas ao desequilíbrio institucional
Ao longo do discurso, Marinho reiterou críticas ao que classifica como “invasão de competências” entre os Poderes e à erosão das instituições. Sem usar literalmente a expressão “sociedade doente”, o senador sustentou que o país atravessa uma crise de confiança nas instituições e um processo de degradação institucional.
Segundo ele, o Senado não pode se comportar como um “carimbo” do Executivo e precisa retomar sua função de freio e contrapeso. “Precisamos voltar ao eixo originário da nossa Constituição”, declarou, em referência direta ao debate constitucional que já protagonizou em 2025, quando defendeu que uma proposta de emenda constitucional resgatasse a “constituinte originária de 1988”.
Prioridades e promessas
O centro da campanha de Marinho é romper o que chama de bloqueio de pauta na Casa. Ele prometeu que, se eleito, levará ao plenário o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 — bandeira cara à base bolsonarista — e defenderá a mudança da eleição para a presidência do Senado para voto aberto, ampliando a transparência do processo.
“Fui escolhido pelos meus pares para representar a direita”, afirmou o senador, que também prometeu uma gestão de diálogo com as demais bancadas, mas sem abrir mão dos compromissos assumidos com o eleitorado conservador.
Cenário da disputa
A eleição para a presidência do Senado está prevista para fevereiro de 2027, mas a movimentação antecipada indica que a disputa será uma das mais acirradas dos últimos anos. Alcolumbre, que já presidiu a Casa entre 2019 e 2021, costura apoio entre siglas do centrão e partidos da base governista. Já Marinho aposta na unidade da direita e no desgaste da atual gestão.
Nos bastidores, aliados de Marinho avaliam que a candidatura de Tereza Cristina pode ser retirada em troca de espaço na Mesa Diretora, mas a senadora ainda não sinalizou recuo.
Nota da redação: A expressão “sociedade doente” não consta nas reportagens sobre o discurso de lançamento da candidatura. O conteúdo atribuído a Marinho nesta matéria foi baseado em declarações públicas do senador em outros pronunciamentos e em reportagens sobre o evento.





