Desespero pela reeleição, visita frustrada de Braide e candidatura frágil do PT expõem a crise de um grupo político que, em vez de reconhecer erros, prefere culpar a imprensa maranhense
O cenário político do Maranhão tem revelado nos últimos meses um retrato de desgaste, descontrole e transferência de responsabilidades. O deputado Othelino Neto, figura central da Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA), vive um momento de evidente desespero diante da incerteza de sua reeleição. Mas o que parecia ser uma crise pontual se aprofunda quando analisada em conjunto com outros fracassos recentes do grupo político que ele lidera ou integra.
A visita frustrada de Eduardo Braide
O pré-candidato Eduardo Braide realizou uma visita recente ao interior do estado que foi classificada, nos bastidores, como um verdadeiro fracasso. Sem articulação eficiente, sem capilaridade e com resultados pífios, o episódio escancarou a falta de sintonia entre discurso e prática. A fragilidade logística e política do grupo ficou exposta, gerando ainda mais insegurança entre aliados.
A fragilidade de Felipe Camarão (PT)
Outro fator que aprofunda o cenário adverso é a candidatura de Felipe Camarão, do PT. Longe de empolgar a base petista ou conquistar novos simpatizantes, Camarão tem se mostrado frágil, sem tração popular e sem discurso que convença. A impressão generalizada é de que o grupo político ao qual ele pertence não consegue articular sequer uma candidatura competitiva.
A culpa, segundo o subconsciente de Othelino Neto
Diante de tantos reveses, o deputado Othelino Neto parece ter encontrado um culpado: a imprensa. Mais especificamente, a maior parte da imprensa maranhense, que vem apoiando — merecidamente, diga-se — o governo de Carlos Brandão. Em sua análise subconsciente, seria a mídia a responsável pelos fracassos eleitorais e políticos do grupo.
Essa tentativa de transferir responsabilidades, no entanto, revela muito mais sobre o deputado do que sobre a imprensa.
A ambição que predomina a alma e o corpo
O que se percebe é que a ambição desmedida pelo poder tem predominado não apenas na alma, mas também na atuação física e cotidiana de Vossa Excelência. Foi essa ambição que levou Othelino Neto a tentar se perpetuar na presidência da ALEMA, buscando novamente o cargo nesta nova gestão.
E aqui cabe uma pergunta sincera: Vossa Excelência esteve errado em concorrer? Claro que não. Era um direito seu. Ninguém questiona o direito de disputar. O que se questiona é a consequência: não ter obtido sucesso não autoriza ninguém a culpar a imprensa.
Incompetência na condução do grupo
Se tudo está dando errado — a pré-candidatura de Braide não decola, o candidato do PT é frágil, o grupo político se enfraquece e a reeleição do deputado fica incerta —, há um fator comum a todos esses insucessos: a incompetência de Vossa Excelência em conduzir seu próprio grupo de forma inteligente, articulada e estratégica.
A política não se faz com ataques à imprensa. Faz-se com gestos concretos, com articulação real, com escolhas certas. E, quando os resultados não aparecem, faz-se com humildade para reconhecer os erros.
Denegrir a imprensa é assinar o próprio fracasso
A conduta recente de tentar denegrir a imagem de parte da imprensa maranhense não é prova de perseguição ou injustiça. É, isso sim, a assinatura inequívoca da própria incompetência e do grande fracasso dessa legislatura.
A maior parte da imprensa do Maranhão, ao apoiar merecidamente o governo Brandão, não está cometendo nenhum crime. Está exercendo seu papel de reconhecer gestões competentes. Culpar os jornalistas pelos próprios fracassos eleitorais é, no mínimo, um desserviço ao debate democrático.
O desespero de Othelino Neto é compreensível. Ninguém gosta de ver sua reeleição ameaçada. Mas a política exige grandeza. Exige assumir erros. Exige aprender com as derrotas.
Enquanto o deputado preferir culpar espantalhos — como a imprensa —, em vez de olhar para dentro do próprio grupo e reconhecer sua incompetência na condução dos rumos políticos, o fracasso só tende a se aprofundar. A assinatura desse fracasso, infelizmente, já está publica. E ela leva o nome de quem tenta, injustamente, calar e desqualificar a imprensa livre do Maranhão.





