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De príncipe a sapo: a verdade inconveniente sobre a metamorfose de Carlos Brandão

Cesar by Cesar
15/08/2026
in Notícias
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De príncipe a sapo: a verdade inconveniente sobre a metamorfose de Carlos Brandão

O Maranhão assiste, atônito, à transformação repentina de um governador que, por mais de sete anos, foi tratado como exemplo de lealdade e discrição. Agora, a menos de dois meses das eleições, ele virou o vilão da história. A pergunta que ninguém quer responder: por que só agora?

 

A política maranhense sempre teve fama de novelas mal escritas, mas o enredo atual supera qualquer roteiro de dramalhão mexicano. Carlos Brandão, o vice-governador que durante sete anos e dois meses caminhou ao lado de Flávio Dino como sombra fiel, de repente se vê transformado em alvo de operações da Polícia Federal, afastamento de servidores e acusações de corrupção. Coincidência? Só para muito ingênuo.

O que estamos vendo não é uma epifania da Justiça. É, sim, o capítulo mais explícito de uma guerra política onde as armas são os tribunais e o calendário eleitoral dita o ritmo das investigações.

O estopim da discórdia: um tribunal, dois pesos e duas medidas

A briga pela indicação de membros do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) foi o empurrão que faltava para que a relação entre Dino e Brandão explodisse. E não foi por acaso que o conflito foi parar no STF, justamente nas mãos do próprio Flávio Dino.

Aqui, caro leitor, mora o perigo. Um ministro do Supremo julgar um processo que envolve seu principal adversário político. Isso não é apenas um conflito de interesses — é um atentado ao princípio mais básico da imparcialidade judicial. Brandão tem razão quando diz que é “injusto que um juiz julgue um adversário”. E quem defende o contrário precisa explicar como isso se sustenta no Estado Democrático de Direito.

 

A cronologia da conveniência: por que as denúncias só agora?

Vamos aos fatos. As acusações contra Brandão — incluindo o afastamento de quatro servidores por determinação da Justiça Eleitoral — vieram a público em 2026. Ano eleitoral. Detalhe: Brandão cumpriu a ordem judicial imediatamente. Mas a pergunta que ecoa é: se ele sempre foi corrupto, por que Dino o manteve como vice por mais de sete anos?

A resposta é dura, mas necessária: porque a “integridade” de Brandão, durante o governo Dino, era, na verdade, a lealdade a Dino. Enquanto servia ao projeto político do então governador, Brandão era um príncipe. Quando resolveu ter projeto próprio — e lançar o sobrinho Orleans ao governo —, virou sapo. A coerência, nesse jogo, é a primeira vítima.

Não se combate corrupção com cronômetro. Ou se investiga sempre, ou se investiga por conveniência. O que vemos no Maranhão é a segunda opção, e isso envergonha qualquer um que acredite na Justiça.

 

Vingança pessoal ou Justiça? A linha tênue que incomoda

Brandão e seus aliados classificam as acusações como “vingança pessoal”. É uma acusação grave, mas não é infundada. Quando um ex-aliado, agora adversário, vê sua gestão sendo desmontada por decisões judiciais em ano eleitoral, é natural que a suspeita recaia sobre a motivação por trás dos processos.

Isso não significa que Brandão seja inocente. Significa, isso sim, que a Justiça precisa ser cega, e não seletiva. Se há provas, que sejam apresentadas com transparência. Mas que não se use a toga como capa de campanha.

 

O povo não é plateia — e o teatro precisa acabar

O maranhense não é bobo. Sabe que o jogo político é bruto, que os interesses são grandes e que o poder não se divide com facilidade. Mas também sabe quando está sendo tratado como figurante de uma peça onde os atores trocam de máscara conforme o ato da novela.

 

O que fica, no fim das contas?

Fica a certeza de que o Maranhão merece mais do que esse espetáculo de acusações convenientes e defesas chorosas. Merece investigações sérias, independentemente do período eleitoral. Merece líderes que não precisem ser destruídos para que outros sejam erguidos.

Carlos Brandão pode ser culpado ou inocente. Mas a verdade é que a forma como esse processo está sendo conduzido — às pressas, em ano eleitoral, com um adversário no comando do tribunal — mancha tanto a acusação quanto a defesa.

E, no fim, quem perde é sempre o povo. Que fica assistindo, de camarote, a mais um capítulo de uma novela onde a Justiça virou personagem e a verdade virou roteiro.

O Maranhão não é palco. É casa. E quem mora nela merece respeito.

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