A pesquisa eleitoral que já foi bússola virou peça de convencimento? A desconfiança que ronda os institutos no Maranhão e no Brasil
Era tempo em que ver os números de uma pesquisa eleitoral era como assistir a um placar de jogo de futebol. A gente comentava os percentuais, discutia a margem de erro e, principalmente, confiava naquele retrato como um termômetro legítimo da disputa. As pesquisas geravam adrenalina, movimentavam o debate e, no fundo, sabíamos que eram feitas com seriedade.
Infelizmente, essa sensação de credibilidade parece ter ficado no passado. Hoje, a pergunta que muitos eleitores fazem é: as pesquisas ainda servem para medir a opinião pública ou foram transformadas em ferramentas para tentar convencer o eleitor de que um candidato já é o vencedor? A impressão que fica é que alguns levantamentos são divulgados não para informar, mas para criar uma onda artificial, um “efeito manada” que desestimularia o voto em quem aparece atrás .
Essa percepção não é à toa. No Maranhão e em outros estados, são muitas as denúncias de que os institutos credenciados deixam a desejar. Não dá para generalizar—existem sim profissionais sérios e institutos que trabalham com rigor científico . Mas o que se vê com frequência são pesquisas com metodologias questionáveis, dados que destoam completamente da realidade das urnas e, em alguns casos, até mesmo a comprovação de irregularidades.
No Maranhão, por exemplo, a situação chegou a tal ponto que a maioria dos eleitores já “não está nem aí” para esses números. É o fim da confiança. A população percebe quando uma pesquisa tenta empurrar uma narrativa, e a reação é justamente o oposto: vota em quem quer, sem se deixar levar pelo “aviso” de que o voto pode ser “perdido”.
A crise de confiança é tamanha que virou pauta no Senado Federal. Tramita um projeto de lei para obrigar os institutos a divulgarem, junto com a pesquisa, um “histórico de acertos” — um indicador de quão precisos foram na eleição anterior . É uma tentativa de dar transparência e permitir que o eleitor avalie a credibilidade de quem está publicando os números. Seria como colocar um “selo de qualidade” ou de “desconfiança” em cada levantamento.
Enquanto isso, os casos de picaretagem pipocam. A Justiça Eleitoral já multou até mesmo institutos consagrados por irregularidades técnicas, como a falta de identificação correta dos bairros pesquisados . Em 2022, vimos pesquisas errarem feio e perderem totalmente a credibilidade .
Por isso, a saudade de tempos mais simples — aquela imagem do jovem fardado, com a planilha na mão, batendo de porta em porta — é grande. Naquela época, parecia que a única influência era a das perguntas feitas sem rodeios. Hoje, o que falta não é tecnologia, mas sim compromisso com a verdade.
Quando o eleitor desconfia que a pesquisa é só “pesquisa de cabide”, para tentar emplacar um candidato na marra, o tiro sai pela culatra. A esperança é que a Justiça Eleitoral e a própria população continuem vigilantes para que a credibilidade das pesquisas volte a ser o que nunca deveria ter deixado de ser: um serviço de informação, e não um instrumento de manipulação.




