Itamargarethe Corrêa Lima – jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

Toda derrota eleitoral produz perguntas. Algumas são respondidas pelas urnas, outras permanecem abertas por muito tempo. A eleição para o Governo do Maranhão deixou uma delas. Como um projeto político que reuniu um dos maiores aparatos já vistos em uma disputa estadual não conseguiu transformar seu candidato em vencedor?
Do lado do governo havia praticamente tudo o que qualquer campanha almejaria. Centenas de prefeitos, deputados estaduais e federais, senador, vereadores, lideranças políticas, partidos aliados, uma máquina administrativa consolidada e centenas de profissionais dedicados, diariamente, à produção e divulgação das ações do Executivo estadual.
A esse conjunto somavam-se os canais institucionais, a ampla exposição das realizações governamentais e um ambiente político extremamente favorável à construção da imagem do candidato governista.
À frente dessa engrenagem estavam diversos profissionais qualificados, entre eles Sérgio Macêdo, com décadas de atuação na área, passagem por governos anteriores e novamente responsável pela publicidade institucional do Governo do Maranhão. Não se tratava, portanto, de uma organização improvisada ou conduzida por uma equipe técnica sem experiência.
Tempo também não faltou. Orleans não surgiu às vésperas da eleição. Ainda como secretário de Assuntos Municipalistas, percorreu todo o Estado, participou de agendas, encontros com prefeitos, inaugurações e eventos políticos, portanto, sua imagem foi construída durante meses.
Outro aspecto chama atenção. Os grandes eventos realizados durante a pré-campanha e o período eleitoral propriamente dito exibiam imagens impactantes. Multidões, palcos cheios, forte mobilização e demonstrações de apoio transmitiam a impressão de que a candidatura crescia de forma consistente.
Do outro lado estava Eduardo Braide. Embora contasse com experiência administrativa, visibilidade e canais próprios de divulgação, não reunia o mesmo volume de apoios políticos nem dispunha de uma rede de sustentação estadual comparável àquela mobilizada em torno do adversário.
Foi diante dessas condições que o eleitor maranhense fez sua escolha. O Maranhão chegou às eleições de 2026 com 5.180.851 eleitores aptos a votar. Desse universo, 4.158.395 compareceram às urnas, enquanto 1.022.456 deixaram de votar, representando uma abstenção de 19,74%.
Na disputa, Braide conquistou 2.104.122 votos, correspondentes a 54,02% dos votos válidos, garantindo a vitória ainda no primeiro turno. Orleans obteve 1.354.044 votos, equivalentes a 34,76%, enquanto Felipe Camarão alcançou 374.039 votos, ou 9,60%.
A diferença entre os dois primeiros chegou a 750.078 votos, uma distância de 19,26 pontos percentuais. Não se tratou, portanto, de uma disputa decidida por pequena margem, e sim de um resultado que merece ser examinado à luz das condições políticas e dos recursos empregados.
As urnas mostraram que mobilização e desempenho eleitoral não caminharam, necessariamente, na mesma direção. É justamente nesse contraste que nasce a principal reflexão.
A comunicação política é capaz de construir qualquer candidatura? Ou existe um limite que nenhuma estratégia de marketing consegue ultrapassar?
Talvez a pergunta correta seja outra.
A exposição pública apenas tornou o candidato conhecido ou conseguiu fazer com que o eleitor se identificasse com ele? A diferença entre essas duas situações parece pequena, embora seja exatamente nela que muitas campanhas vencem ou fracassam.
Afinal, tornar alguém conhecido não significa, necessariamente, transformá-lo na escolha do eleitor. Da mesma forma, reunir lideranças políticas, promover grandes eventos e produzir diariamente conteúdos de divulgação não assegura que toda essa mobilização se converta em votos.
Talvez jamais se conheça a resposta completa. As pesquisas qualitativas, debates estratégicos, avaliações internas e conclusões produzidas pelos responsáveis pela campanha dificilmente chegarão ao conhecimento da sociedade.
As urnas encerraram a disputa, todavia deixaram aberta uma discussão que certamente continuará ocupando, por algum tempo, o debate entre analistas políticos e especialistas em marketing eleitoral.
Porque, antes de apontar culpados, talvez seja necessário responder a uma pergunta ainda mais importante. A comunicação atingiu o limite de sua capacidade de construir uma candidatura ou o problema estava em outro lugar? Essa reflexão continuará no próximo artigo. Até breve!





