Atual vice-campeã do Carnaval de São Luís, a Turma da Mangueira apresenta nesta quarta-feira (30), às 20h, os protótipos das fantasias que levará para o Carnaval 2027. O lançamento acontece na sede da tradicional verde e rosa, no calçadão do João Paulo, e marca uma das principais etapas da preparação para o próximo desfile.
A apresentação será o primeiro contato do público com a identidade visual do novo desfile. Cores, formas e elementos das fantasias começarão a traduzir o enredo “Agô a Aydo Hwedo, o Ouroboros da Mitologia Ewe-Fon”, uma viagem pela ancestralidade africana que terá como fio condutor Aydo Hwedo, a serpente sagrada ligada, na tradição dos povos Fon, à criação e ao equilíbrio do mundo.
A inspiração vem do antigo Daomé, atual Benin, na África Ocidental. Segundo a cosmologia que orienta a proposta, Aydo Hwedo participa da formação do mundo e, posteriormente, passa a sustentá-lo. Já o Ouroboros — a serpente que morde a própria cauda — incorpora à história os conceitos de continuidade, renovação e equilíbrio.
A partir desse simbolismo, a escola estabelece uma ponte entre ancestralidade e presente, levando para a avenida uma reflexão sobre a relação do homem com a natureza, a exploração dos recursos naturais e as consequências da ruptura do equilíbrio ambiental.
O projeto é assinado pelos carnavalescos Itamilson Lima e Cristiano Bara e vem sendo desenvolvido há cerca de um ano. Com mais de três décadas dedicadas à cultura popular maranhense, Itamilson presidiu a agremiação entre 2015 e 2023, comandou a Liesma por três mandatos e acumula experiência na organização e produção do Carnaval de São Luís.
“A Mangueira vem trabalhando com bastante antecedência porque sabe da responsabilidade que tem com sua comunidade e com o Carnaval de São Luís. Existe pesquisa, planejamento e muito trabalho em cada detalhe. A expectativa é entregar um espetáculo à altura da nossa escola e, principalmente, de quem ama a folia momesca”, destaca Itamilson.

Cristiano Bara traz uma trajetória construída também fora do Maranhão. O artista carioca acumula trabalhos em agremiações como Inocentes de Belford Roxo e Beija-Flor de Nilópolis, no Rio de Janeiro, e Vila Maria, no Grupo Especial de São Paulo, além de experiências em projetos internacionais.
“Esse é um enredo de enorme riqueza visual e simbólica. Ter tempo para pesquisar, testar caminhos e amadurecer cada solução faz muita diferença. O objetivo é transformar toda essa ancestralidade em imagem, cor e emoção e fazer jus à expectativa do público que espera o ano inteiro pelo Carnaval”, afirma Bara.
O lançamento reunirá diretores de ala, ritmistas, baianas, artistas, representantes de escolas de samba, blocos tradicionais, outras manifestações culturais e integrantes da comunidade.
Fundada em 25 de dezembro de 1928, a tradicional do João Paulo caminha para completar um século de história no bairro onde mantém suas raízes. A dois anos do centenário, a verde e rosa aposta na preparação antecipada e no intercâmbio de experiências para elevar o padrão artístico de seus desfiles.





