O Centro Histórico de São Luís ganhou outras cores, sons e movimentos nesta terça-feira (8). Pais, mães, filhos e filhas de santo ocuparam as ruas para celebrar os 414 anos de fundação da capital e reverenciar São Luís Rei de França durante mais uma edição da Procissão dos Orixás, manifestação que há mais de seis décadas reúne diferentes expressões das religiões de matriz africana.
A concentração começou por volta das 16h e, aos poucos, o espaço foi tomado pelas diferentes casas e seus integrantes. Guias e turbantes se misturavam entre participantes mais antigos e jovens, formando um encontro de gerações antes mesmo da saída.
A Corte do Divino Espírito Santo, do Terreiro de Iemanjá, no bairro Fé em Deus, também integrou a celebração. Acompanhada pelas caixeiras, somou-se aos grupos presentes, enquanto o bloco afro levou ritmo e movimento à concentração.
Presidente da Federação de Umbanda e Cultos Afro-Brasileiros do Maranhão (FUCABMA), o vereador e pai de santo Astro de Ogum chegou no fim da tarde, cumprimentou os participantes e acompanhou o momento institucional, que contou com a presença do governador Carlos Brandão e da secretária de Estado Extraordinária da Igualdade Racial, Célia Salazar.
Já começava a escurecer quando o cortejo deixou a concentração. À frente da caminhada, Astro conduziu os participantes pelas ruas do Centro Histórico em direção à Igreja do Desterro. Tambores e cânticos marcaram o percurso, acompanhado também por moradores, trabalhadores e pessoas que paravam para registrar a passagem dos grupos.
Umbanda, Candomblé, Cura e outras expressões dividiram as ruas, cada uma com suas referências e formas de manifestar a crença. Na chegada ao Desterro, os andores de São Sebastião, Nossa Senhora da Conceição e Santa Bárbara, associados respectivamente a Oxóssi, Iemanjá e Iansã, evidenciaram o sincretismo religioso que atravessa a história da celebração.
A entrada dos andores foi acompanhada pela saudação à Corte do Divino. Em seguida, a lavagem da escadaria com água de cheiro e rosas marcou um dos momentos mais simbólicos da noite, reunindo os participantes diante da igreja para os últimos ritos.
Depois de horas de cânticos, passos e manifestações de fé, coube aos tambores marcar o encerramento. O rufar ecoou diante da igreja em pedidos de paz, proteção, prosperidade e fartura para São Luís. Aos 414 anos, a capital encerrou a noite ouvindo uma batida que atravessa gerações e mantém viva uma história de fé, ancestralidade e resistência.




