Dando sequência à análise do início da gestão da prefeita Esmênia Miranda(PSD), o segundo recorte examina as respostas da administração municipal nas áreas de saúde e transporte público, com foco na liberação de recursos para a saúde e na ausência de definição sobre o passe livre estudantil.

No tocante a saúde, houve a adoção de medida de impacto imediato. Em poucos dias após a posse, foi viabilizada a liberação de aproximadamente R$ 12 milhões destinados ao Hospital Aldenora Bello, recurso oriundo de dez emendas impositivas de vereadores, voltadas à implantação da ala oncológica pediátrica.
Os valores encontravam-se retidos, apesar de sua natureza obrigatória e vinculada. Ainda assim, por uma queda de braço com o Legislativo, a gestão do correligionário, o ex-prefeito Eduardo Braide optou por não efetuar o pagamento.
A celeridade na liberação dos recursos, por si só, revelou mais do que uma simples decisão administrativa. Ao destravar, em poucos dias, verbas que permaneceram paralisadas por longo período, o ato evidenciou, de forma inequívoca, que a execução era plenamente possível e dependia, essencialmente, de decisão política.
Sem necessidade de qualquer manifestação expressa, a medida opera, na prática, como crítica concreta à condução anterior. O gesto administrativo expõe o contraste entre a paralisação prolongada e a solução imediata, conferindo à atuação atual um caráter corretivo em relação à omissão pretérita.
Em paralelo, permanece indefinido o encaminhamento da implantação do passe livre estudantil, aprovado por ampla maioria em plebiscito realizado nas eleições de 2024. Trata-se de política pública de elevado impacto, diretamente relacionada à realidade de milhares de estudantes que dependem do transporte público.
O contraste, nesse ponto, torna-se ainda mais sensível. Diferentemente de seu antecessor, que, por advir de família abastada, nunca teve vivência com o transporte público, a atual chefe do Executivo conhece essa realidade na prática, pois já utilizou o sistema e vivenciou as limitações enfrentadas diariamente por quem depende dele.
Essa diferença eleva o nível de cobrança sobre a gestão de Miranda, especialmente em relação a uma pauta que atinge diretamente a população mais vulnerável. A ausência de definição, nesse cenário, deixa de ser apenas uma questão administrativa e assume contornos políticos imediatos, com potencial de repercussão social relevante.
O contraste entre as duas situações mostra-se evidente. Houve demonstração concreta de capacidade para resolver entraves históricos e destravar recursos quando assim se decidiu.
Entretanto, diante de pauta igualmente relevante e respaldada por consulta popular, a ausência de posicionamento não pode ser interpretada como neutralidade administrativa. Trata-se, na essência, de uma escolha política que projeta efeitos diretos sobre a percepção pública da gestão, especialmente em seu momento inicial.
O início de governo, por natureza, define parâmetros. Mais do que ações isoladas, o que se consolida neste momento é o padrão de resposta do Executivo diante de demandas sensíveis. E é justamente nessa métrica que a gestão passa, inevitavelmente, a ser medida.
Na próxima etapa, a análise avança para o campo político, onde os primeiros movimentos da gestão passam a indicar os limites, as estratégias e os riscos envolvidos na consolidação de uma liderança própria no Executivo municipal.






