A esquerda brasileira tem moderado o discurso sobre a Venezuela, afastando-se da defesa explícita de Maduro e focando em condenar a intervenção militar dos EUA. A mudança é uma resposta ao desgaste eleitoral do tema e à rejeição popular ao regime chavista.
O tema Venezuela é explorado pela oposição para atacar o PT e partidos de esquerda, associando-os ao regime de Maduro. Houve inflexões na campanha de São Paulo em 2024 devido a críticas. Um levantamento indicou que, nas redes sociais, menções à prisão de Maduro foram majoritariamente favoráveis (56%), com apenas 28% contrárias.
A captura forçada de Maduro pelos EUA cria um fato novo. Condenar a intervenção americana tornou-se um posicionamento mais unificador do que defender o governo deposto. Condenação da “agressão militar” e do “sequestro” de um chefe de estado, invocação da soberania nacional, autodeterminação dos povos e multilateralismo (ONU). O Discurso passa a separar a defesa do “povo venezuelano” da defesa do “regime chavista” ou de Maduro. Orientação interna no governo Lula é não fazer defesa de Maduro, focando na violação da soberania.
O Governo Lula e PT condenam a intervenção, mas não defendem o regime. Lula já criticou a “narrativa” contra Maduro, mas não reconheceu sua reeleição contestada em 2024. O PT emitiu nota focada na soberania e no multilateralismo, sem defender Maduro. Guilherme Boulos (PSOL): Durante a campanha em SP (2024), chamou o regime de Maduro de “ditatorial”, buscando se distanciar de apoios anteriores, Gleisi Hoffmann (PT), Histórico de apoio, tendo ido à posse de Maduro em 2019. Agora, seu posicionamento se alinha ao do governo.
O PSOL Condenou a “ação criminosa dos EUA”, mas chamou a prisão de “desaparecimento forçado”, enquanto o PCdoB classificou as ações como “terrorismo internacional”.
Maduro foi capturado em uma operação militar justificada pelo combate ao narcotráfico. O presidente Donald Trump declarou que os EUA passariam a “gerenciar” a Venezuela por coerção, pressionando a presidente interina Delcy Rodríguez.
Delcy Rodríguez, vice de Maduro, assumiu como presidente interina. Ela e o alto escalão do chavismo em primeiro discurso condenaram a ação dos EUA e afirmam que Maduro segue como presidente legítimo, buscando projetar unidade e soberania mais o discurso não demorou muito para ser modificado em melhorias ao povo venezuelano e paz com o governo Trump.
Especialistas apontam possibilidades que vão desde uma “custódia” temporária dos EUA até um conflito híbrido prolongado. A reação regional foi dividida, com países vizinhos como Colômbia preocupados com o desestímulo. A prudência no discurso da esquerda brasileira reflete um cálculo político, onde o desgaste eleitoral e a rejeição pública a Maduro pesam mais do que a solidariedade ideológica. A condenação da intervenção americana tornou-se uma posição mais segura e unificadora.





